Reciclagem no Brasil em números: o protagonismo dos catadores
Equipe CataFácil · · 2 min de leitura
Os números da reciclagem no Brasil contam duas histórias ao mesmo tempo: a de um país que ainda recicla muito pouco, e a de uma categoria de trabalhadores que sustenta praticamente sozinha o pouco que se recicla — os catadores de materiais recicláveis.
Quanto o Brasil recicla
Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos, o país gerou mais de 81 milhões de toneladas de resíduos em um único ano, e cerca de 40% ainda têm destinação incorreta, em lixões e aterros inadequados. A taxa de reciclagem fica em torno de 4,5% quando se considera apenas a coleta seletiva formal das prefeituras — e sobe para cerca de 8,7% quando se inclui o trabalho informal dos catadores.
A diferença entre esses dois números revela algo importante: mais da metade de tudo o que é reciclado no Brasil é resultado do trabalho dos catadores, e não de sistemas públicos estruturados.
Quem faz a reciclagem acontecer
Estima-se que cerca de 800 mil pessoas vivam da reciclagem no país, segundo o Movimento Nacional dos Catadores (MNCR) — e pelo menos 70% delas são mulheres. São essas pessoas, organizadas em cooperativas e associações, que fazem a ponte entre o descarte e a indústria.
Reconhecer o catador como protagonista da reciclagem não é discurso: é o que os números mostram.
O caminho para melhorar
A Política Nacional de Resíduos Sólidos previa reaproveitar 20% dos resíduos — meta ainda distante. Encurtar essa distância passa por fortalecer as cooperativas: coleta seletiva municipal em parceria com os catadores, formalização, emissão de notas fiscais e, sobretudo, gestão organizada, que permite comprovar volumes e acessar programas de logística reversa.
Cada cooperativa que se organiza e mede sua produção contribui para transformar esses números — e para provar, com dados, o tamanho do seu impacto ambiental e social.